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quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Tributo ao Padre-Cientista Roberto Landell de Moura, o pioneiro das telecomunicações.



No dia 30 de junho de 2003 transcorreu o septuagésimo quinto aniversário da morte do Padre-cientista ROBERTO LANDELL DE MOURA, gaúcho, nascido em Porto Alegre, numa casa de esquina da rua Bragança, hoje Marechal Floriano Peixoto, com a antiga Praça do Mercado, aos 21 de janeiro de 1861, tendo sido batizado, conjuntamente com sua irmã Rosa, a 19 de fevereiro de l863, na igreja do Rosário, que anos mais tarde viria a ser seu vigário. Landell de Moura era o quarto de quatorze irmãos, sendo seus pais o Sr. Ignácio José Ferreira de Moura e Sara Mariana Landell de Moura, ambos descendentes de tradicionais famílias rio-grandenses, com ascendência inglesa.

Roberto Landell de Moura estudou com o pai as primeiras letras. Frequentou a Escola Pública do Professor Hilário Ribeiro, no bairro da Azenha, a seguir entrou para o Colégio do Professor Fernando Ferreira Gomes. Com 11 anos, em 1872, estudou no Colégio Jesuíta de Nossa Senhora da Conceição, de São Leopoldo-RS, onde concluiu o curso de Humanidades. Após seguiu para o Rio de Janeiro, onde foi cursar a Escola Politécnica. Em companhia do seu irmão Guilherme, seguiu para Roma, matriculando-se ambos a 22 de março de 1878 no Colégio Pio Americano, após cursou a Universidade Gregoriana onde, em 28 de outubro de 1886, foi ordenado Padre.
Retornou ao Rio de Janeiro em 1886, residindo no Seminário São José e, neste mesmo ano, reza sua primeira missa na Igreja do Outeiro da Glória para Dom Pedro II e toda sua côrte. Em função disso, expôs suas idéias sobre transmissão do som e da imagem ao Imperador. Substituiu o coadjutor do capelão do Paço Imperial, mantendo, ainda, palestras de caráter científico com Dom Pedro II.
No dia 28 de fevereiro de 1887 foi nomeado capelão da Igreja do Bomfim e professor de História Universal no Seminário Episcopal de Porto Alegre. A 25 de março de 1891 foi conduzido a vigário, por um ano, na cidade de Uruguaiana-RS. Em 1892 é transferido para o Estado de São Paulo, onde foi vigário em Santos, Campinas e Santana e capelão do Colégio Santana. Em julho de 1901 partiu para os Estados Unidos da América do Norte. Retornou a São Paulo em 1905, dirigindo as Paróquias de Botucatu e Mogi das Cruzes. Em 1908 voltou ao Rio Grande do Sul onde dirigiu a Paróquia do Menino Deus e, em 1916, a Paróquia de Nossa Senhora do Rosário.
Padre Landell foi um dos pioneiros na descoberta do telefone sem fio, ou rádio, como é hoje conhecido, o precursor da radiotelefonia, o bandeirante da própria televisão, o descobridor das Ondas Landellianas. Em 1893, muito antes da primeira experiência realizada por Guglielmo Marconi, o gaúcho padre Landell de Moura realizava, em São Paulo, do alto da Av. Paulista para o alto de Sant’Ana, as primeiras transmissões de telegrafia e telefonia sem fio, com aparelhos de sua invenção, numa distância aproximada de uns oito quilômetros em linha reta, entre aparelhos transmissor e receptor, presenciada pelo Cônsul Britânico em São Paulo, Sr. C. P. Lupton, autoridades brasileiras, povo e vários capitalistas paulistanos. Tratava-se da primeira radiotransmissão da qual se tem notícias. Só um ano depois foi que Marconi iniciou as experiências com seu telégrafo sem fio. Em virtude de brilhante êxito de suas experiências inéditas, em nível mundial, Landell obteve uma patente brasileira para um “aparelho destinado à transmissão phonética à distância, com fio ou sem fio, através do espaço, da terra e do elemento aquoso”, patente nº. 3.279. Era o dia 09 de março de 1901. 
O mérito do Padre Landell é ainda maior se considerarmos que desenvolveu tudo sozinho. Era dessas pessoas que além do seu lado místico, integrava em sua personalidade o gênio teórico e o lado prático para a construção de seus aparelhos. Ele era o cientista, o engenheiro e o operário ao mesmo tempo. Consciente de que suas invenções tinham real valor, o padre Landell partiu com destino aos Estados Unidos da América, quatro meses depois, com o intuito de patentear os seus aparelhos. Obtém três patentes em Washington, Estados Unidos: “Transmissor de Ondas” – precursor do rádio, em 11 de outubro de 1904, patente de nº. 771.917; “Telefone sem fio” e “Telégrafo sem fio”, em 22 de novembro de 1904, patentes de nºs. 775.337 e 775.846. Nas patentes agrega vários avanços técnicos como transmissão por ondas contínuas, por meio da luz, princípio da fibra óptica e por ondas curtas; e a válvula de três eletrodos, peça fundamental no desenvolvimento da radiodifusão e para enviar mensagens. 
Também em 1904 o Padre Landell começa a projetar, de forma precursora, a transmissão da imagem, ou seja televisão e de textos, teletipo, à distância. As Ondas Landellianas, denominadas assim por um jornal de São Paulo, que em 1900 se ocupou das teorias científicas do Padre inventor, conquanto sejam, aparentemente, do mesmo número das Ondas Hertzianas, todavia diferem muito destas últimas, porque estas são ondas mais ou menos amortecíveis e produzidas por movimentos vibratórios elétricos sem Constância nem Uniformidade, que vão pouco a pouco, decrescendo, ao passo de que as Ondas Landellianas não estão sujeitas a tais transformações e são produzidas por movimentos vibratórios elétricos, cujos valores ondulatórios são CONTÍNUOS e permanecem sempre iguais. Como bem se verifica, as Ondas Landellianas desempenham, em seu sistema de telegrafia e telefonia-sem-fio, o papel de um condutor metálico. A idéia da criação desse campo ondulatório através do espaço, além de ser genial, é de grande alcance prático e científico, pois já tem sido aproveitado para vários fins. Nela baseava-se o Padre Landell na possibilidade de transmitir, também sem fio, a IMAGEM a grandes distâncias, ou seja, a TELEVISÃO que agora se pratica.
Como consequência das suas descobertas, a Marinha de Guerra do Brasil, logo no retorno de Landell de Moura dos Estados Unidos, em 1º de março de 1905 realizava experiências com a telegrafia por centelhamento, no encouraçado Aquidabã. Foram usados os aparelhos patenteados em 1901, no Brasil e 1904, nos Estados Unidos. A Marinha de Guerra é a pioneira no Brasil, da rádio telegrafia permanente.
Por seu pioneirismo nas telecomunicações, o Padre Roberto Landell de Moura é considerado o “Patrono dos Radioamadores Brasileiros”. Na verdade foi o 1º radioamador brasileiro em telegrafia e fonia.
Em 1907, o Padre Landell de Moura, sob a designação de “O Perianto”, descrevia minuciosamente os efeitos eletro-luminescentes da aura humana e sua gravação em filme fotográfico. Mas, somente em 1939 esse efeito foi conhecido, na Rússia, sob a denominação de efeito Kirlian e sua técnica fotográfica.
Igualmente, o Padre Landell de Moura deixou minuciosos relatos dos efeitos da acumulação da eletricidade no comportamento do corpo humano, denominando-os “estenicidade”, e suas formas de controlá-los.
Em 1984 a Fundação de Ciência e Tecnologia – CIENTEC, em Porto Alegre, construiu uma réplica daquele que pode ser considerado o primeiro aparelho de rádio do mundo: o Transmissor de Ondas (Wave Transmitter, patente nº. 771.917, de 11 de outubro de 1904). Esta réplica encontra-se em exposição no saguão da Fundação Educacional e Cultural Padre Landell de Moura, na Av. Ipiranga, 3501, em Porto Alegre – RS.
Além das ciências físicas, Roberto Landell de Moura se interessou pela química, biologia, psicologia, parapsicologia e medicina, sendo o primeiro cientista brasileiro com registro internacional de invenção pioneira. Suas descobertas estão servindo à humanidade até hoje.
Roberto Landell de Moura foi Cônego do Cabido Metropolitano de Porto Alegre. Em 17 de setembro de 1927 foi elevado, pelo Vaticano, a Monsenhor, e seis meses antes de falecer nomeado Arcediago, promoções que lhe foram feitas merecidamente. A Igreja Católica, reconhecendo e apoiando o seu trabalho como cientista, concedeu-lhe permissão especial para viajar aos Estados Unidos da América, onde permaneceu por quatro anos para patentear seus inventos. Aos 67 anos, no dia 30 de junho de 1928, sábado, às 17:45 horas, morreu, abatido pela tuberculose, num modesto quarto da Beneficência Portuguesa de Porto Alegre, cercado apenas por seus parentes e meia dúzia de amigos fiéis e devotados.
O Monsenhor João Emílio Berwanger, pró-vigário geral, celebrou, no domingo, dia 1º de julho, pela manhã, na Capela da Beneficência, missa de corpo presente. Em caráter solene, na Catedral Metropolitana, às 15:00 horas, foi celebrada a encomendação, tendo presidido as cerimônias o arcebispo Dom João Becker, secundadas pelos monsenhor João Emílio Berwanger, João Maria Balém, José Barea e Nicolau Marx, e assistidas por todos os cônegos do Cabido Metropolitano. O “Libera-me Domine” foi cantado com o acompanhamento de todo o clero secular e regular da arquidiocese. O templo estava repleto de fiéis e lá fora, uma chuva torrencial.
No Estado de São Paulo, em 16 de julho de 1992, pela Lei nº.7.957, assinada pelo Governador Luiz Antônio Fleury Filho, foi instituída oficialmente a “Semana Padre Roberto Landell de Moura”, a ser comemorada todos os anos, de 05 a 11 de novembro.
Nas comemorações do 1º Centenário da bem sucedida experiência pública do Padre Roberto Landell de Moura, acontecida em 1893, foi inaugurado, em 07 de junho de 1993, às 16:30 horas, na cidade de Santa Maria-RS, em frente ao Santuário de Nossa Senhora Medianeira, um monumento em sua homenagem.
O Prefeito Municipal de Porto Alegre-RS, Sr. Raul Pont, em 11 de outubro de 1999, sancionou a Lei nº. 8.355, autorizando o Executivo Municipal a erigir um busto em homenagem ao Padre-cientista Roberto Landell de Moura, no Belvedere Deputado Rui Ramos, no bairro Santa Tereza.
Em 03 de novembro de 1999, o Governador do Estado do Rio Grande do Sul, Ilustríssimo Sr. Olivio Dutra, sancionou a Lei nº. 11.384, instituindo a “SEMANA PADRE LANDELL DE MOURA”, a ser comemorada de 24 a 30 de setembro de cada ano. A Semana terá como motivo reverenciar a memória do Padre cientista Roberto Landell de Moura.
A Lei nº. 8355 e a Lei nº. 11384 foram elaboradas atendendo a solicitação do pesquisador e radioamador Ivan Dorneles Rodrigues – PY3IDR.
Em 13 de julho de 2002 foram transladados os restos mortais do Padre Roberto Landell de Moura que estavam depositados no Cemitério dos Padres, localizado no Bairro Glória, na Gruta Nossa Senhora de Lourdes, em Porto Alegre-RS, para um altar lateral da Igreja Nossa Senhora do Rosário, na Rua Vigário José Inácio, 402, também em Porto Alegre-RS, junto às imagens de São José, Santa Cecília e São Roque.
A urna, que seguiu em um caminhão de bombeiros, foi acompanhada por jovens do grupo Escoteiros do Mar, de Porto Alegre, e escoltada por cavaleiros do Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG). A cerimônia teve também a participação de familiares, entre eles, o provedor da Irmandade São Miguel e Almas e sobrinho do padre, Guilherme Landell de Moura. Os restos mortais do monsenhor gaúcho foram recebidos na Igreja do Rosário pelo arcebispo metropolitano, dom Dadeus Grings, que celebrou a missa no altar está uma lápide com seu nome, as datas de nascimento, ordenação e falecimento, o registro de seus inventos e a inscrição “Sacerdote, cientista e precursor da comunicação”
FAMÍLIA LANDELL DE MOURA:
PAI: IGNÁCIO JOSÉ FERREIRA DE MOURA, Comerciante e um dos cinco fundadores da Associação Comercial de Porto Alegre (1828-1904);
MÃE: SARA MARIANA LANDELL DE MOURA (1832-1926);
FILHOS:
INÁCIO LANDELL DE MOURA, Dr., médico adjunto do Exército, emérito professor de línguas anglo-germânicas (1859-1927);
SARA LANDELL DE MOURA, solteira (1860-1925);
ROBERTO LANDELL DE MOURA, Arcediago Monsenhor, grande cientista e inventor, paprono dos radioamadores brasileiros (1861-1928);
ROSA LANDELL DE MOURA, solteira (1862-1904);
GUILHERME LANDELL DE MOURA, Monsenhor e Doutor em direito canônico (1863-1928);
JOÃO LANDELL DE MOURA, Dr., farmacêutico laureado e depois doutor em medicina (1864-1939);
PEDRO LANDELL DE MOURA, do alto comércio (1867-1943);
ANTÔNIO LANDELL DE MOURA, farmacêutico (1868-);
EDMUNDO LANDELL DE MOURA, farmacêutico (1869-1929);
ISABEL LANDELL DE MOURA, solteira (1870-);
FRANCISCO LANDELL DE MOURA, farmacêutico (1871-1943);
RICARDO LANDELL DE MOURA, farmacêutico (1873-1934);
SARA INÁCIA LANDELL DE MOURA, falecida com pouca idade;
TOMÁS LANDELL DE MOURA, também falecido com pouca idade.


A primeira radioamadora do Brasil



A primeira mulher a operar uma estação de radioamador no Brasil. 
Odette Cecy Chaves começou a operar como radioamadora com indicativo de BZ7AB, Belém-PA, a partir de 1926, (data do inicio de operações não restaram registros). O grande motivador para o ingresso no radioamadorismo foi seu pai, Américo Lins de Vasconcellos, que através de revistas norte-americanas se empolgou pelo radioamadorismo. Na época, os radioamadores operavam exclusivamente em telegrafia, motivo era que a fonia ainda era difícil a realização. Observando que não era bom em telegrafia o pai de Odette organizou um “cursinho ” com auxilio de um técnico e professor dos Correios e Telégrafos, e os alunos era os membros da família. Entre todos os alunos apenas dois concluíram o curso, Odette e seu primo Alberto Mota Filho, que submeteram aos exames de habilitação e foram aprovados.
Seu pai construiu uma estação e Odette começou a operar com BZ7AB seu indicativo, e realizou diversos contatos com Rio de Janeiro, São Paulo, Santos e com as outras poucas que existiam na época. Depois realizou DX com quase todos os países que existia radioamadorismo, sendo considerada como um grande sucesso o fato de ser mulher e radioamadora (YL) na atividade que praticamente só existia homens. Odette recebeu e enviou cartões e fotos, infelizmente não se pode mostrar algo pois foram extraviados em viagem feita para São Paulo, nos anos trinta. Segundo as suas lembranças se recorda do contato que mais lhe emocionou, um contato com um submarino; e, do operador marinheiro recebeu uma foto e QSL.
Houveram muitas modificações na sua estação e Odette nunca chegou a operar em fonia – teve aumento de potência de 7.5 watts para 15 watts; isto foi comprovado em QSL remetido a José Luis de Novais, SB1AZ, em junho de 1927. Muitos pesquisadores pensavam mas não se confirma, Odette nunca foi telegrafista profissional. Ainda usou os seguintes indicativos: BZ7AB, SB7AB, PY7AB e seu ultimo indicativo PY8AB.Odette SB7AB
A partir de 1930, Odette, com sua família começou a fazer freqüentes viagens e começou a declinar a sua atuação radioamadorística, comprova-se através das revistas QTC de 1930 a 1934 a total ausência de estações do Norte do Brasil. Foi escrito nas pág 63 de QTC num.3 (janeiro de 1935).
Lê-se “Pará, Amazonas, Acre, Perfeito QRT. PY7AB, que foi sempre uma entusiasta do radioamadorismo, não se fez mais ouvir. É pena, porque ela era sempre ouvida com grande prazer.
Em pesquisas feitas por Geraldo Pessanha dos Santos e por AN-EP (estas pelas leituras da LABRE à revista QTC constaram o seguinte, em ato publicado no Diário Oficial de 23/04/1932, o Ministério da Aviação do Governo Provisório, determinou a cassação da licença de Odette, para estação transmissora instalada em sua residência). O referido ato não menciona a estação de radioamador ou indicativo ou mesmo o tipo de estação.
Em 14 de janeiro de 1938 o nome de Odette Cecy Chaves deixa de constar na lista de radioamadores do Pará. (Ocasionalmente houve inclusão em outras listas).

Fonte : AN-EP -Vol 94 No. 1 de 1987






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