terça-feira, 3 de maio de 2016

PX (Faixa do cidadão)

 

RESOLUÇÃO ANATEL Nº 444, DE 28 DE SETEMBRO DE 2006

DOU 10.10.2006

Aprova o Regulamento sobre Canalização e Condições de Uso da Faixa de Radiofreqüências de 27 MHz para o Serviço de Rádio Táxi Cidadão.

O CONSELHO DIRETOR DA AGÊNCIA NACIONAL DE TELECOMUNICAÇÕES – ANATEL, no uso de suas atribuições e tendo em vista o disposto no art. 22, da Lei n.° 9.472, de 16 de julho de 1997, e art. 35 do Regulamento da Agência Nacional de Telecomunicações, aprovado pelo Decreto n.° 2.338, de 7 de outubro de 1997;
CONSIDERANDO o disposto no inciso VIII do Art. 19 da Lei n.º 9.472, de 1997, que atribui à Anatel a administração do espectro de radiofreqüências, expedindo os respectivos procedimentos normativos;
CONSIDERANDO os termos dos artigos 159 e 161 da Lei n. º 9.472, de 1997, segundo os quais, na destinação de faixas de radiofreqüências será considerado o emprego racional e econômico do espectro e que, a qualquer tempo, poderá ser modificada a destinação de radiofreqüências;
CONSIDERANDO o disposto no inciso I do art. 214 da Lei n. º 9.472, de 1997, segundo o qual, os regulamentos, normas e demais regras em vigor serão gradativamente substituídos por regulamentação a ser editada pela Agência;
CONSIDERANDO a solicitação para ampliar o número de canais de radiofreqüências previstos na regulamentação em vigor, Norma n.º 01A/80, aprovada pela Portaria MC n.º 218, de 23 de setembro de 1980;
CONSIDERANDO as contribuições recebidas em decorrência da Consulta Pública n.° 687, de 11 de abril de 2006, publicada no Diário Oficial da União de 12 de abril de 2006;
CONSIDERANDO deliberação tomada em sua Reunião nº 411, realizada no dia 27 de setembro de 2006, resolve:

Art. 1º Aprovar o Regulamento sobre Canalização e Condições de Uso da Faixa de Radiofreqüências de 27 MHz para o Serviço de Rádio do Cidadão, na forma do Anexo a esta Resolução.

Art. 2º Destinar a sub-faixa de 26,960 MHz a 27,860 MHz para o Serviço Rádio do Cidadão, em caráter secundário e uso não exclusivo.

Art. 3º Este Regulamento substitui os itens n.º 1, 3, 4, 5, 6 e 7 da Norma n.° 01A/80, aprovada pela Portaria MC n.° 218, de 23 de setembro de 1980, do Ministério das Comunicações, publicada no Diário Oficial da União de 3 de outubro de 1980, que regulamenta o Serviço Rádio do Cidadão.

Art. 4º Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação.

PLÍNIO DE AGUIAR JÚNIOR
Presidente do Conselho

ANEXO
REGULAMENTO SOBRE CANALIZAÇÃO E CONDIÇÕES DE USO DE RADIOFREQÜÊNCIAS DA FAIXA DE 27 MHz PELO SERVIÇO RÁDIO DO CIDADÃO

CAPÍTULO I
Das Disposições Gerais
Art. 1º Este Regulamento tem por objetivo estabelecer as condições de uso da faixa de radiofreqüências compreendida entre 26,960 MHz e 27,860 MHz por sistemas analógicos do serviço móvel, conforme definido no Regulamento de Radiocomunicações da União Internacional de Telecomunicações – UIT (1.24), em aplicações do Serviço Rádio do Cidadão.
CAPÍTULO II
Da Canalização
Art. 2º A faixa de radiofreqüências de 26,960 MHz a 27,860 MHz está dividida em canais com separação de 10 kHz entre portadoras adjacentes e as freqüências nominais das portadoras estão listadas na Tabela 1.
Tabela 1
Freqüências nominais das portadoras dos canais para uso do Serviço Rádio do Cidadão
Canal nºFreqüência da Portadora (MHz)
126,965
226,975
326,985
1T26,995
427,005
527,015
627,025
727,035
2T27,045
827,055
927,065
1027,075
1127,085
3T27,095
1227,105
1327,115
1427,125
1527,135
4T27,145
1627,155
1727,165
1827,175
1927,185
5T27,195
2027,205
2127,215
2227,225
2327,255
2427,235
2527,245
2627,265
2727,275
2827,285
2927,295
3027,305
3127,315
3227,325
3327,335
3427,345
3527,355
3627,365
3727,375
3827,385
3927,395
4027,405
4127,415
4227,425
4327,435
4427,455
4527,465
4627,475
4727,485
4827,505
4927,515
5027,525
5127,535
5227,555
5327,565
5427,575
5527,585
5627,605
5727,615
5827,625
5927,635
6027,655
6127,665
6227,675
6327,705
6427,685
6527,695
6627,715
6727,725
6827,735
6927,745
7027,755
7127,765
7227,775
7327,785
7427,795
7527,805
7627,815
7727,825
7827,835
7927,845
8027,855
CAPÍTULO III
Das Características Técnicas
Art. 3º Na execução do Serviço Rádio do Cidadão, os transmissores devem operar com modulação em amplitude (AM) ou em freqüência modulada (FM) e a máxima largura de faixa ocupada pelas emissões em fonia não deve exceder a 8 kHz para modulação em faixa lateral dupla (DSB) e a 4 kHz para modulação em faixa lateral singela (SSB) com portadora suprimida.
Parágrafo único. A banda passante de áudio deve iniciar o corte em 2,5 kHz com 15 dB por oitava, como índice mínimo.
Art. 4º A atenuação do segundo harmônico ou das emissões harmônicas de ordens maiores deve ser superior a 60 dB, em relação à portadora para transmissões em faixa lateral dupla, ou em relação à potência de pico da envoltória (PEP) para transmissões em faixa lateral singela (SSB) com portadora suprimida.
Art. 5º A atenuação das demais emissões espúrias deve ser superior a 40 dB, em relação à portadora para transmissões em faixa lateral dupla, ou em relação à potência de pico da envoltória para transmissões em faixa lateral singela com portadora suprimida.
Art. 6º A atenuação da portadora e da faixa lateral não desejada, para equipamentos que utilizem transmissões com faixa lateral singela e portadora suprimida, deve ser maior do que 40 dB
em relação à faixa lateral desejada.
Art 7º Os transmissores para telecomando devem operar com modulação em amplitude utilizando tons de telegrafia por onda contínua, devendo a máxima largura de faixa ocupada não exceder a 8 kHz e a atenuação das emissões não essenciais ser superior a 40 dB, em relação à portadora.
Art. 8º A estabilidade de freqüência deve garantir uma variação máxima de ± 50 ppm (partes por milhão), para variações de temperatura de -10º C a +55º C e variações de ±15 % da tensão nominal de alimentação.
Art. 9º A potência média da portadora na saída do transmissor fica limitada a 10 watts (RMS) para operações com telecomando e para emissões em faixa lateral dupla. E, no caso de emissões em faixa lateral singela com portadora suprimida, a potência média na saída do transmissor limita-se a 25 watts (PEP).
CAPÍTULO IV
Das Condições Específicas de Uso
Art. 10 Os usuários dos canais de nº 1 ao 28, constantes na Tabela 1, devem aceitar interferência prejudicial resultantes da emissão dos equipamentos utilizados em aplicações Industriais, Científicas e Médicas (sigla em inglês: ISM) que podem utilizar a sub-faixa de radiofreqüências de 26,957 MHz a 27,283 MHz.
Art. 11 As estações poderão operar em qualquer dos canais constantes da Tabela 1 do
Art. 2º , exceto aqueles designados para atender situações de emergência, chamada e escuta, ao uso em rodovias ou à transmissão de sinais de telecomando, listados a seguir:
I – O canal 9 é restrito ao tráfego de mensagens referentes a situações de emergência em todo território nacional;
II – O canal 11 é restrito a chamada e escuta em todo território nacional;
III – O canal 19 é restrito ao uso em rodovias em todo território nacional;
IV – Os canais 1T, 2T, 3T, 4T e 5T são para uso das estações de telecomando, de acordo com o Regulamento sobre Equipamentos de Radiação Restrita.
§ 1º É vedada a utilização simultânea de mais de um canal por qualquer estação.
§ 2º Em caso de necessidade, as estações de telecomando podem utilizar também o canal 23.
§ 3º Não é permitida a transmissão de qualquer outro tipo de informação pelas estações de telecomando.
CAPÍTULO V
Das Disposições Finais e Transitórias
Art. 12 A Agência, a partir da publicação deste regulamento, não expedirá novas autorizações de uso de radiofreqüências e nem licenciará novas estações do Serviço Limitado Privado na subfaixa de 26,960 MHz a 27,860 MHz.
Art. 13 As estações atualmente licenciadas para o Serviço Limitado Privado, operando na subfaixa de radiofreqüências de 27,610 MHz a 27,860 MHz, de acordo com a regulamentação pertinente, passam a operar em caráter secundário, a partir da publicação deste regulamento.
Art. 14 As estações devem ser licenciadas e os equipamentos de radiocomunicações devem cumprir os requisitos do Regulamento de Certificação e Homologação de Produtos para Telecomunicações, aprovado pela Resolução n.º 242 da Anatel, de 30 de novembro de 2000.
Art. 15 As estações devem atender à Resolução n.º 303, de 2 de julho de 2002, sobre Limitação de Exposição a Campos Elétricos, Magnéticos e Eletromagnéticos, na faixa de 9 kHz a 300 GHz.
Art. 16 A Anatel poderá determinar a alteração dos requisitos estabelecidos neste regulamento, caso necessário para otimização do uso do espectro de radio

Rodelão6970

LEI DA ANTENA
LEI Nº 8.919 , DE 15 DE JULHO DE 1994
Dispõe sobre a instalação do sistema de antenas por titular de licença de Estação de Radiocomunicação, e dá outras providências.
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA 
Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:

Art. 1º Ao permissionário de qualquer serviço de radiocomunicação é assegurado o direito de instalação da respectiva estação, bem como do necessário sistema ou conjunto de antenas, em prédio próprio ou locado, observados os preceitos relativos às zonas de proteção de aeródromos, heliportos e de auxílio à navegação aérea. 

Parágrafo Único. O sistema ou conjunto de antenas deverá ser instalado por pessoa qualificada, em obediência aos princípios técnicos inerentes ao assunto, observadas as normas de engenharia e posturas federais, estaduais e municipais aplicáveis às construções, escavações e logradouros públicos. 

Art. 2º
 O permissionário de qualquer serviço de radiocomunicação é responsável pelas despesas decorrentes da instalação do seu sistema ou conjunto de antenas, bem como pela sua manutenção e por eventuais danos causados a terceiros.

Art. 3º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

Art. 4º Revogam-se as disposições em contrário.

Brasília, 15 de julho de 1994; 173º da Independência e 106º da República.
ITAMAR FRANCO
Djalma Bastos de Morais


PERGUNTAS SOBRE A LEI DA ANTENA
1) O que é a Lei da Antena ?
A Lei da Antena é uma Lei Federal que regulamenta a instalação de antenas de estação de radioamador. Por ser uma Lei Federal é mais importante do que Leis Estaduais ou Municipais. Também é mais importante do que a Convenção do Condomínio e Assembléia de Moradores. Uma Lei Federal é mais importante do que todas as outras leis, só perde para a Constituição. 


2) Em resumo, o que diz a Lei da Antena ?

A Lei da Antena assegura ao radioamador o direito de instalar o rádio e a sua antena. 


3) Quantas antenas o radioamador tem o direito de instalar ?
O Artigo 1º da Lei estabelece o direito para um conjunto de antenas sem limitar a quantidade. Este conjunto pode ter apenas uma antena ou muitas antenas dependendo da necessidade. 


4) O que é o "necessário sistema de antenas" conforme consta na Lei ?
 
A antena não funciona sozinha. Para funcionar corretamente, a antena requer, no mínimo, um suporte e o cabo para ligar no rádio. Estas coisas formam o "sistema de antenas". Além do suporte e do cabo, o sistema de antena pode ter também filtros, chaves, amplificadores, baterias, coletor solar, tirantes, aterramentos, torres, etc. A Lei da Antena assegura o direito de instalar todos os acessórios que formam o necessário sistema de antenas. 


5) Quais são as restrições à instalação de antenas ? 

Só existem 3 restrições para instalação de antenas: aeródromos, heliportos, e auxílio à navegação aérea. Não existem outras restrições legais. 


6) Quais são as normas que o instalador de antenas deve respeitar ? 

O instalador deve ter qualificação adequada ao grau de complexidade da instalação e deve respeitar as normas de engenharia e as posturas aplicáveis às construções, escavações e logradouros públicos. Por exemplo, não pode instalar a antena na calçada de modo permanente. 


7) Quem paga as despesas de colocação da antena? 

Todas as despesas relativas à instalação, manutenção e retirada da antena são pagas pelo dono da antena.


8) A Lei da Antena é a única lei que trata de instalações de rádio ? 
Não. A Lei no. 8919, de 15 de julho de 1994, da Presidência da República, conhecida como Lei da Antena, está acompanhada da seguinte legislação: 

- O Decreto no. 91836, de 24 de outubro de 1985, da Presidência da República, aprova o Regulamento do Serviço de Radioamador; 

- O Decreto no. 1316, de 25 de novembro de 1994, da Presidência da República, altera o Regulamento do Serviço de Radioamador; 

- A Portaria no. 1278, de 28 de dezembro de 1994, do Ministério das Comunicações, aprova a Norma de Execução do Serviço de Radioamador

Rodelão6970

SATELITE BOLINHA



Depois do gato de água, do gato de luz e do gatonet, é hora de lembrar outro gato que percorre o Brasil: o gato de satélite.
A prática não é nova - existe há anos, desde que se tornou padrão e fácil de dominar a tecnologia usada pelos chamados satélites "Bolinha", os aparelhos americanos chamados FLTSATCOM, lançados ao espaço entre 1978 e 1989 pela Marinha dos EUA.
São satélites geoestacionários utilizados para comunicações militares entre bases terrestres, navios, aviões e submarinos.
Em meados dos anos 90, técnicos e operadores de rádio brasileiros descobriram que poderiam usar determinadas frequências operadas por esses satélites (que, apesar de antigos, ainda são usados nas comunicações militares americanas).
Desde então, a farra nas comunicações via satélite se instalou, com os gatos sendo usado para conversas de tudo quanto é tipo, especialmente em áreas com pouca cobertura de tecnologias de comunicação.
A bagunça parece ter chegado ao ápice no mês passado, quando os usuários de gatos satelitais ruidosamente comemoraram um gol do Corinthians.
Operadores militares americanos ficaram estarrecidos e a história foi até parar na "Wired" na semana passada. Não deu outra:
Os militares americanos reclamaram com o governo brasileiro e isso deu início à Operação Satélite, de caça aos gatos - conta o delegado da Polícia Federal Ronaldo Guilherme Campos, de Santa Catarina, que coordenou a operação a partir de Minas Gerais em várias cidades e estados.



A ação da PF se deu no fim de março e cumpriu 20 mandados de busca e apreensão em cidades como Uberlândia, Governador Valadares, Caratinga e Ubaporanga (em Minas), Goiânia (GO), Campo Grande (MS), São José (SC) e Palmas, Araguaiana, Barra do Garça e Mato Grosso (em Tocantins).
Segundo o delegado da PF, foram detidos 20 usuários dos gatos, mas ainda se investigam pelo menos mais cinco.
Os 20 não ficaram presos, no entanto, porque a investigação prossegue e quer ir mais fundo, até os responsáveis pela fabricação dos aparelhos de interceptação clandestina dos satélites.

A revista americana comentou que as caronas sem fio são também usadas por traficantes de drogas para troca de informações e coordenar operações criminosas, mas Ronaldo não encontrou sinais disso na operação que coordenou.

É como se fosse um noticiário aberto a todos

- A comunicação nesses gatos não é criptografada, isto é, qualquer um que entra na frequência pode ouvir o que os outros estão falando - explica. - É como se fosse um noticiário aberto a todos. Por isso, são mais usadas em conversas e trocas de informações comuns. Os criminosos procuram usar alguma forma de comunicação criptografada. A maioria absoluta dos usuários se vale do gato como se fosse um Nextel gratuito.
O que não significa que os gatos de satélite sejam legais. Nada disso: seu uso é tipificado como crime na Lei Geral de Telecomunicações (artigo 183) e pode dar até quatro anos de detenção, além de multa. A Operação Satélite deixou isso bem claro.
- A operação visou a materializar esse crime, embora a maioria das autoridades policiais preferisse não efetuar prisões dos usuários (na verdade, foi efetuada apenas uma), preferindo prosseguir em direção à fabricação e disponibilização dos meios para o gato de satélite através da internet, por exemplo - explica Ronaldo. - O importante é coibir a prática, que está interferindo com as operações militares americanas.
Embora a Marinha americana esteja trabalhando numa nova geração de satélites chamada MUOS (Mobile User Objective System) para substituir os velhos FLTSATCOM, eles ainda são bastante usados, e Ronaldo diz que é difícil coibir tecnologicamente a pirataria, pois os transceptores são facilmente adaptáveis para interceptar a frequência.
De qualquer modo, a PF está fazendo a perícia nos aparelhos apreendidos e vai continuar de olho.

quinta-feira, 21 de abril de 2016

DICAS de Como Operar Com Satélites de Radioamador





Trabalhar satélites desde uma ilha tropical, desde o alto de uma montanha ou desde o jardim de tua casa é fácil e divertido, sempre que tenhas o equipamento adequado e um pouco de experiência. Anima-te, vamos fazê-lo !!!
Trabalhar satélites desde lugares remotos ou localizações interessantes é uma gratificante experiência tanto para  quem o faz como para quem realiza o QSO contigo. Trabalhar outras estações enquanto estas de férias ou em viagem de negócios dá um toque especial à viagem.
Não obstante, há uns quantos truques que te ajudaram a trabalhar satélites, inclusive nos piores passos…
Para um contacto bem sucedido deves escutar o satélite e ele deve de te escutar a ti. A maior parte dos colegas que têm problemas a trabalhar o “pássaro” é porque não o escutam bem. Como, ” no espaço, a propagação é sempre boa “, se escutas o satélite alto e claro, fazer o contacto será uma questão de acertar a eleição da frequência de subida e em escolher bem o horário. Lembrando um velho ditado: “Se podes ouvi-lo, poderás trabalhá-lo! “… e isso é especialmente certo se falamos de satélites.
Alguns radioamadores transmitem através de satélites que apenas podem escutar. São conhecidos como “Alligators” (Crocodilos), porque são todos boca e têm pouco ouvido. Para evitar que te cataloguem como tal, é recomendável que possas  escutar o teu próprio sinal emitido pelo satélite na frequência de downlink. Uma vez que possas ouvir-te a ti mesmo no downlink, saberás que a coisa funciona em ambas as direcções.
Nas zonas muito populadas, é habitual que muitos colegas  tentem trabalhar o satélite ao mesmo tempo, o qual pode tornar-se muito difícil ou quase impossível, a uma estação portátil que habitualmente usa menos potência. Os fins de semana e dias festivos requerem um pouco mais de paciência. Trabalhar os passos baixos pelo horizonte (com poucas estações activas) é o mais recomendável para operadores portáteis.
Põe à prova as tuas técnicas como operador de satélites em portáteis usando os “pássaros ” mais fáceis: Os que funcionam como repetidores de FM no espaço (OSCAR 14, OSCAR 27). Por suposto, necessitarás de um software para saber quando passa cada satélite sobre a tua zona. Há uma multiplicidade de programas que te facilitam essa missão, na secção de software poderás encontrar alguns.

TRABALHANDO COM ANTENAS de PORTÁTEIS
Apesar da maior parte das antenas de portáteis não terem ganho suficiente para escutar o sinal dos satélites, algumas podem ser úteis em certos passos. Há alguns anos atrás era muito difícil escutar o OSCAR 27, mas hoje em dia o OSCAR 14 tem sinais bastante mais fortes. As antenas de maior ganho são melhores, por suposto, e isso significa que quanto mais larga seja a antena do portátil melhor trabalhará. O AO27 e o UO14 têm downlink em 70cm (UHF) o que torna a escuta mais difícil. Para escutar estes dois satélites podem-se usar objectos perto e inclusive a orografia do terreno para uma melhor recepção. Um dos truques mais estendidos é por o portátil voltado para baixo. Assim, os sinais reflectidos no solo ajudam a melhorar a escuta. O usar auriculares permite-nos mover o portátil facilmente, para encontrar a melhor posição.
Aquilo dito até agora funciona bem para a recepção, mas transmitir sem um microfone externo será uma tarefa difícil. O truque de dar a volta ao portátil funciona melhor com  os passos que são de 10 a 30 grados sobre o horizonte. Para os passos mais altos (por cima da tua cabeça) funciona bem por o portátil a uns poucos centímetros sobre o tecto do carro.
Se te aborrece a procura, há um procedimento que funciona perfeitamente com a antena Diamond RH77CA(ou similares): Estaciona o carro  na direcção norte sul com a parte dianteira apontando à direcção por onde aparecerá o satélite. Ao começar a passagem, põe a antena a uns 20 cms da chapa do carro. Habitualmente encontrarás ai uma boa reflexão no inicio da
passagem. Quando o satélite alcança uns 15 grados de elevação, surge um bom ponto entre a chapa do carro e o pára-brisas. Mantendo o portátil vertical e com o conector de antena à altura do tecto do carro obtêm-se bons resultados para passos sobre ti e de media elevação. Chegando ao final da passagem, passa-te para a zona da mala para encontrar boas reflexões. Esta técnica funciona perfeitamente com o UO14 mas não tanto com o AO27.
Com o UO14 e o AO27, usar antenas “rubber duck” (antenas que vem com o portátil) é uma desvantagem durante os passos muito concorridos. Apesar de que o AO27 pode ser trabalhado com apenas 100 mW e uma antena “rubber duck”, o uso de FM faz com que cheguem os sinais mais fortes e os mais débeis sejam ignorados…
Se tentas trabalhar um satélite desde tua casa, um hotel ou apartamento, seguramente escutarás o sinal do satélite com um portátil e a sua antena mas isso não significa que vás ter êxito. Para melhorar as condições põe-te perto das partes metálicas dos balcões ou janelas, reflectem melhor o sinal.

TRABALHANDO COM UMA ANTENA “FLECHA” : 
Com duas antenas ligeiras em um só boom, a “antena flecha” é perfeita para operar satélites de forma portátil. Para fabricar uma antena similar por tua conta, terás que montar uma antena directiva de VHF de 3 elementos e uma de 7 elementos de UHF, com ângulos correctos no mesmo boom. Embora isso se possa conseguir rapidamente, a facilidade de montagem da antena “flecha” é o que a torna especialmente útil para portátil.
A forma ortogonal desta antena não é um problema, mas se o satélite estivesse na terra e as suas antenas fossem da mesma polaridade, o desenho de directiva cruzada seria um problema. Como os sinais dos satélites atravessam a ionosfera, mudam de polaridade devido à Rotação de Faraday (quando os sinais chegam à terra, a polarização original já foi mudada. Se os sinais de 2 metros e 70 cms são da mesma polaridade um ligeiro giro da antena pode ajudar-nos muito).
Com o AO-27, a antena “flecha” oferece boas condições com os seus 7 elementos, inclusive quando o satélite está já sobre o horizonte. O UO14 tem um sinal de downlink mais forte, pelo qual os contactos se fazem mais facilmente. A antena também trabalha com os FO-20 e FO29 embora a operação possa ser mais complexa. O AO10 pode ser trabalhado no seu perigeo com esta antena, mas por razões de segurança, é recomendável não sujeitar a antena se operas com mais de 10 W.
Os passos baixos é realmente onde esta antena oferece a sua maior qualidade. É nestes passos quando se conseguem os DX mais atractivos e quando há menos colegas trabalhando o satélite. À medida que o satélite passa pelo horizonte, coloca a antena perto do solo. As estacionárias (SWR) podem subir, mas assim recorrerás às reflexões do solo e melhorarás as condições. Esta técnica pode permitir que uma estação no Alasca possa contactar com as estações no resto dos EUA sem problemas. Se o terreno é plano, melhor ainda. Os altos de uma montanha têm uma boa orientação para o horizonte  mas não tem boas superfícies reflectoras. Use a antena que use, é importante observar o terreno que te rodeia e o céu. Veja se há tempestades. Uma boa regra é: “Se não há nuvens de tempestade, não haverá raios num raio de 5 kms”… Veja se há linhas da rede eléctrica ou árvores perto. As torres eléctricas tendem a interferir e podem ser perigosas. Veja também se há antenas sobre as montanhas ou edifícios próximos. Finalmente, olha para o céu e traça mentalmente o trajecto que seguirá o satélite. Com uns poucos preparativos, inclusive em plena cidade, poderás ter visibilidade do horizonte.
Para trabalhar qualquer satélite com uma antena linear (dipolo rígido etc…) começa apontando-a para a zona por onde aparecerá o satélite sobre o horizonte. Em FM, uma vez que o satélite está visível, o receptor começará a mostrar sinais, mas não emitas todavia. Gira ligeiramente a antena para procurar a polaridade do sinal, logo localiza o sinal movendo um pouco a antena para trás e frente. À medida que o satélite se eleva, o sinal irá aumentando. Nos passos muito concorridos, a maior actividade se centra sobretudo durante os primeiros minutos. À medida que o satélite passa por cima, segue-lhe o trajecto procurando a maior força do sinal, primeiro com a polaridade, logo com a posição. Quando está em cima de nós, o AO27 tende a ter um sinal mais débil. Se o sinal baixa de repente, gira a antena e aponta-a à zona por onde passa o satélite. O UO14 tem um desvanecimento similar, mas são muito mais infrequentes e duram bastante menos.

Tabela 1- como controlar o efeito de doppler ?
Tabela 1- como controlar o efeito de doppler ?
SATÉLITE
AO- 27
UO-14
MOMENTO
 transmitir em
 receber em
 transmitir em
 receber em
Ao começo da passagem
145.850
436.805
145.975
435.080
3 minutos depois
145.850
436.800
145.975
435.075
Zenith(máxima cobertura)
145.850
436.795
145.975
435.070
1 minuto depois do zenith
145.855
436.790
145.980
435.065
3 minutos depois
145.855
436.785
145.980
435.060
.
TRABALHANDO SATÉLITES EM SSB DESDE UMA ESTAÇÃO PORTÁTIL:
Os satélites de VHF e UHF de SSB também podem ser trabalhados com uma estação portátil. Apesar de não existirem portáteis bibanda com SSB, existem vários equipamentos que nos serão úteis. O Yaesu FT-847, o Kenwood 2000, o ICOM 821 ou oYaesu FT 817 são suficientemente pequenos para serem colocados numa maleta. Também podes usar um equipamento de 28 Mhz e um transverter. Se o montas num carro, usa um cabo apropriado com fusíveis para conectá-lo directamente à bateria (não ao isqueiro). Se não usas um carro assegura-te de ir equipado com  uma bateria de 18 A/h, a ser possível das fechadas para não derramar ácido para nenhum lado. Se usas uma emissora grande, seria interessante utilizar um tripé ou mastro para por a antena.
Trabalhar satélites em SSB é um pouco mais difícil que os de FM. A frequência deve ser ajustada quase continuamente devido ao efeito de doppler (ver tabela 1). Também será mais difícil encontrar o sinal do satélite porque não há portadora de FM. Para começar o passo é recomendável ter memorizado no equipamento a primeira frequência de doppler (ver tabela 1). Apesar de que pôr a antena num tripé ou mastro ajuda a ter livres as duas mãos, todavia necessitarás de ajustar a antena. À medida que  a passagem começa e termina, a antena pode estar na mesma posição durante  2 ou 4 minutos. Na metade da passagem seguramente necessitarás de mover a antena rapidamente para  manter o sinal. Recorda que é habitual perder o sinal do satélite quando esta justo sobre ti.

INTERFERÊNCIAS:
Embora não seja obrigatório, sempre será recomendável afastar-se das cidades e geradores de electricidade. Antes de trabalhar uma passagem, há uma escuta rápida para comprovar que não há  interferências. Dos três tipos de interferências, as próprias geradas pelo equipamento, intermodulações e harmónicos, as geradas pelo próprio equipamento são as mais fáceis de entender. O principal amplificador do equipamento recebe sinais não desejadas que  podem interferir com os sinais de um satélite, obviamente bastante mais débeis. Em 70 cms os maiores inimigos são as frequências comerciais de 450 Mhz e o áudio de canais de TV. Em zonas onde se pratica o ATV em UHF também podem gerar-se interferências. As intermodulações podem vir de  emissores perto ou de emissores a vários kms de distância. A interferência de harmónicos proveniente de emissores perto ou  frequências reflectidas. Todos estes tipos de interferências são muito habituais nas grandes cidades e nas zonas próximas dos emissores de rádio ou TV.
Para evitar  a sobrecarga do receptor podes tentar reduzir a interferência apontando a antena a outro sítio ou usando um filtro. A empresa Par Electronics fabrica um para 152 Mhz que é válido para as nossas frequências, logo tens os filtros interdigitais (como este ou o descrito na pagina 6-1 e 6-2 do Manual de projectos de UHF e Microondas publicado pela ARRL que tem uns bloqueadores de interferências excelentes. Pese embora estes filtros ajudem muito a evitar interferências também fazem com que o sinal do satélite seja mais débil porque atenuam os sinais.
As interferências por intermodulações são causadas por sobrecarga do receptor ou pela mistura de outras duas fontes. Quando os sinais “f1” e “f2” se misturam, originam harmónicos em f1-f2 e f1+f2. A maior parte das emissoras têm filtros passabanda e um misturador para misturar o oscilador local e os sinais recebidos com a finalidade de gerar a frequência intermédia (IF).
As interferências de harmónico geralmente só se podem evitar no lugar de origem. Embora  apontar a antena a outro lado ajude, normalmente não reduz o problema o suficiente como para trabalhar uma boa passagem do satélite. Por exemplo, se alguém emite em145.600 Mhz seguramente gerará o seu terceiro harmónico em 436.800 Mhz. A não ser que digas ao colega que se cale enquanto dura a passagem, pouco mas poderá ser feito.
Uma vez mais, a melhor forma de evitar interferências é afastar-se o mais possível da fonte que a origina…

CONCLUSÃO:
Há uma grande quantidade de formas e métodos de desfrutar da operação via satélite desde uma estação portátil. Por isso lembra-te: Afastas-te das interferências e das estações de muita potência.
“Nós ouvimos os “pássaros” !!!!
Artigo original publicado na QST Março 2001, Por Charles Duey KIØAG
e repassado por PY2MOK

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